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Postada por: Roberto Seiji - 10/06/2008

Em Novo Disco, Coldplay Tenta Sair Do óbvio, Mas Ainda Se Prende à Burocracia

Após "X&Y" (2005), seu terceiro megasucesso seguido, o Coldplay se tornou sinônimo de música confortável e sem riscos, feita sob medida para aquele ouvinte casual, que compra um ou dois discos por ano e olhe lá. Chris Martin e banda se sentiram pressionados a fazer algo diferente e mais desafiador. Pediram, então, a ajuda de Brian Eno (homem conhecido tanto por criar sons experimentais quanto por ter co-produzido "The Joshua tree", do U2) e também deram um tapa na parte não-musical, com uma pintura de Delacroix na capa e um título em espanhol.

Assim, a boa notícia é que "Viva la vida or death and all his friends" traz algumas boas composições e chega a surpreender em determinados momentos. A má notícia: ainda assim, falta um tanto para tirar o clima burocrático que se instalou na música do Coldplay, principalmente a partir de "X&Y".

A banda até se apresenta mais ambiciosa, com um som mais cheio de detalhes, e se arrisca com tambores africanos, cordas orientais e outros itens que aparecem mais depois de algumas audições atentas. Na primeira metade de "Viva la vida", destacam-se "42" - que traz um dos pontos fortes do Coldplay, o piano triste de Martin, seguido por um riff legal de guitarra - e "Yes", com uma bela introdução com violinos e uma virada dream pop no meio, transformando a canção em duas.

Mesmo aí, o grupo permanece em um ambiente confortável, o que não necessariamente é uma ofensa aos fãs. Mas o Coldplay dá todas as munições para quem diz que eles são a melhor banda-tributo ao U2. "Lovers in Japan"/"Reign of love", que parece fundo sonoro de comercial de banco, deixa isso bem evidente. Se dissessem que The Edge é convidado especial em "Cemeteries of London", daria para mandar fácil um "bem que eu percebi" (só para evitar qualquer confusão, ele NÃO participa da música).

Eles ainda acertam ao final com a bonita "Death and all his friends", que, em sua metade, faz uma espécie de retorno circular à melodia de "Life in technicolor", a faixa de abertura do álbum. Mas não dá para chamar esse tipo de artifício exatamente como ousadia. Aliás, é isso que pode representar o beijo da morte para uma banda como o Coldplay: um medo de ousar, um medo de desagradar os fãs, que torna cada trabalho a ser lançado a correspondência do que se espera, com uma ou outra variação. Muitos, no entanto, vêem nisso exatamente uma qualidade.


Fonte: G1
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