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Postada por: Roberto Seiji - 27/06/2008

Faixa Com Participação De Sandy é Destaque Do CD De Estréia Do Duo Crossover

Apesar de bonita, a arte da capa de Humanized está incompleta: deveria trazer estampada a legenda "Cuidado! Anos 90!" em letras bem grandes. É essa a primeira sensação ao escutarmos o CD de estréia do Crossover, projeto do DJ Julio Torres e o violinista Amon-Rá Lima.

Infelizmente, o CD que ficou famoso na Internet há algumas semanas (chegando a derrubar o rraurl do ar por alguns minutos) por trazer uma faixa electro cantada pela Sandy (sim, a irmã do Junior), parece completamente estagnado num tempo em que nem Orkut existia ainda. É mais uma boa idéia desperdiçada.

Os nomes de algumas faixas se alternam entre o cyber-futurismo ("Space Invaders", "Orbital Ideas") e o místico ("Touched by God", "One God", "Warung Dreams") dando idéia de se tratar de um CD de trance. Mas daí o release diz que as principais influências são o deep house e o electro. Na realidade, nenhum destes três estilos é está bem definido aqui, aparecendo de uma forma muito fraquinha, diluída, sem atitude.

NADA ESCANDALOSA
SandyOk... vamos à polêmica "Scandal", a faixa com vocais de Sandy. Como música ela até que não é de toda ruim - coisa que nossa cabecinha preconceituosa já pensava que era antes mesmo de ouvir. É de longe a melhor do CD: electropop bem feito e certinho. Calvin Harris faria ótimos remixes, ou mesmo Offer Nissim, transformando-a num bate-cabelo dos mais histéricos.

Crossover - Scandal (feat. Sandy)

"Scandal" não soaria nada deslocada dentro de um CD de uma Kylie Minogue, por exemplo, caso Sandy se soltasse um pouquinho mais. Pra cantar house, electro e afins não tem jeito, tem que virar mulher-bicha mesmo, nem que seja apenas por uns cinco minutinhos. Senão perde a graça. A voz de Sandy é ótima e afinada, mas quando ela resolve entoar "feeeeell the loooooove" como se lesse poesia para uma rosa num jardim encantado, isso não cola para ouvidos acostumados com coisas mais exageradas. Mas tudo bem, como já foi divulgado, foi tudo uma brincadeira de momento. Então a gente perdoa. Mas se tivessem chamado a Rosana "como uma Deusa" no lugar dela, seria bem mais legal.

O INCRÍVEL CD QUE NÃO TEM FIM

A outra vocalista convidada, Kika Willcox, se esforça e quase consegue salvar as outras duas faixas que trazem vocal, "Far Away" e "Obsession". Mas o resultado final acaba lembrando aquelas coletâneas de flash-house comercial da Energia FM. As quatorze (!!!!) músicas restantes são instrumentais, e só ajudam a fazer com que Humanized seja um CD longo e cansativo. Algumas faixas são quase idênticas entre si, e a pouca variedade rítmica e de idéias nos leva a ficar com o dedo em cima do botão de forward a maior parte do tempo. É nessas horas que a metade clássica da dupla (Amon) poderia ter sido bem melhor explorada. Amon toca violino, mas é violino elétrico, que fica soterrado pela montanha de clicks e bits que deveriam servir de apoio a ele, não ir contra.

Mas para não ficar apenas jogando pedra, "Space Invaders" e "Square One" são bem legais. Dá até pra um DJ qualquer abrir a pista com elas. "Space" chega em vários momentos a lembrar as produções super-pop do trio Stock, Aitken & Waterman de artistas como Sonia, Jason Donovan, etc, só que sem os vocais. "Rocker" sampleia o clássico "Rock The Casbah" do The Clash, numa mistura interessante, mas logo cai no mesmo problema de sempre: a repetição - chega uma hora que enjoa.

Apesar de toda a boa intenção, o Crossover é um típico projeto para embalar festas na Daslu, onde médicos, publicitários e arquitetos de meia-idade dançam acompanhados de suas esposas. Se os meninos um dia conseguirem se livrar desse verniz anti-aderente que os envolve e principalmente atualizarem suas referências sonoras, o Crossover traria bons frutos.


Fonte: UOL