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O Teatro Mágico

cidadão de papelão

Site Oficial (www.oteatromagico.mus.br)

cidadão de papelão

o cara que catava papelão pediu
um pingado quente, em maus lençóis, nem voz
nem terno, nem tampouco ternura
À margem de toda rua, sem identificação, sei não
um homem de pedra, de pó, de pé no chão
de pé na cova, sem vocação, sem convicção

À margem de toda candura
À margem de toda candura
À margem de toda candura

um cara, um papo, um sopapo, um papelão

cria a dor, cria e atura
cria a dor, cria e atura
cria a dor, cria e atura

o cara que catava papelão pediu
um pingado quente, em maus lençóis, à sós
nem farda, sem tampouco fartura
sem papel, sem assinatura
se reciclando vai, se vai

À margem de toda candura
À margem de toda candura

homem de pedra, de pó, de pé no chão

não habita, se habitua
não habita, se habitua