debaixo de um tecto de plástico
olhos abertos na escuridão
deitados
vestidos
amam-se entre as pedras do chão
já mais calmos
de costas
abandonados e a sonhar
se fecharem um pouco os olhos
conseguem ver as estrelas
a brilhar
será sempre assim
dormindo
na rua
e é janeiro
eu durmo
na rua
desde janeiro
os putos
na escola
não estão lá para aprender
foi onde
ficaram
a dormir para ninguém ver
as misérias
de quem manda
nesta terra do sem querer
e viva o jogo do empurra
já que ninguém tem nada a perder
será sempre assim
debaixo deste céu
e é janeiro
dormindo na rua
debaixo deste céu
eu durmo na rua
e é janeiro
eu durmo na rua
desde janeiro